<$BlogRSDURL$>

Do mal o menos

terça-feira, fevereiro 08, 2005

O uso do preservativo 



Para além da problemática fisiológica inerente ao uso do preservativo este abarca igualmente alguma problemática psicológica, a saber;

Quando usamos o preservativo significa que ainda não confiamos no outro o suficiente para o deixar de usar. Ou, porque ainda não definimos que tipo de relação é aquela para o deixar de usar, o que cria obviamente desavenças do género;
- não achas que já é altura de deixarmos de usar?
- não confias em mim?
Se o outro achar que não quer dar à relação aquela evolução já terá ali um problema de justificação.

Se- ao surgir uma oportunidade inesperada- o homem não tiver preservativos, a mulher pensará que este há muito que não … o que o desvaloriza. Se ao invés a mulher os possuir quer dizer que é uma maluca, o que para além de inibir o homem, arrisca-a a nunca mais o ver à frente.

A maneira como é usado também pode ser inibidora; se o homem o puser com grande mestria significa que está “ batido” em encontros casuais o que pode criar um bloqueio psicológico à mulher. Se ao contrario a mulher se prontificar a minimizar aquela quebra ajudando o homem, quererá dizer que ela já é muito “batida” o que para o homem será sinonimo de um maior exigência, i.e., maior desempenho, i.e., surgirá o pânico da comparação.

Finalmente quando se decide deixar de usar o preservativo surge o problema de ambos terem de fazer o teste HIV, caso contrario não teria sido necessário usar o preservativo até ali. Nesta fase o casal esquece-se dos parceiros que ambos tiveram até aquela data, para o deixar de usar apenas porque a partir dali passam a confiar um num outro, e não fazem o teste.
E em prol do ideal romantico, surge a asneira.

Comments:
Bem...levantaste algumas questões pertinentes.
E cá andava eu apenas preocupado com a probabilidade de ele rasgar.
Mais umas coisas em que pensar
 
Muito bem pensado...
Nos dias que correm, é tudo muito problemático. Em nome do amor, colocam-se de lado pormenores dessa natureza. Mas como ninguém tem que confiar no parceiro, porque de confiança não se trata, o melhor é ambos sempre pragmáticos e realistas. Em nome duma boa amizade e dum futuro amor verdadeiro, nada melhor que fazer o teste.
Ambos!
A realidade que criares para ti depende da opção que tomares nesse instante, e ajudarás na criação da realidade da tua parceira.
 
Nem mais...aquilo que escreves é em tudo verdade. Mas para além disso há outra coisa...que é a questão do sexo oral...também se pode transmitir o HIV e muitas pessoas sem se lembram...usam preservativo para a penetração..mas esqueçem-se de tomar precauções com o sexo oral. Enfim...é um assunto com pano para mangas...costas...frentes...Beijinhos
 
Uma lógica bem argumentada, contudo a circunstância do argumento, não invalida a abordagem de outra forma. Estamos a assirtir a uma calamidade, quer queiramos quer não, as coisas estão a mudar em face desta nova realidade. Como nós é que somos a profiláxia da calamidade, deveriamos encarar com uma realidade fria o uso do profiláctico, como fazendo parte integrante de nós próprios e não um acessório, sujeito a todas as subjectividades que descreveste.
Umbeijinho do pai
 
Boas questões, mas as quais existe apenas uma e só uma resposta:

sexo SEMPRE com a camisinha.

Venham com que conversas vierem!
Única expecção: casamento e, mesmo aí, só se houver uma confiança religiosa no(a) parceiro(a).
Fiquem bem.
 
Bem levantadas estas questões. Só posso falar por mim claro no comentario que vou fazer. Encontros casuais quem nao os teve. Aí é imperioso o uso de preservativo e julque que nesses casos ambos devem considerar que sao batidos, independentemente de quem os traga e da mestria de quem os ponha. Isso é sexo, e no sexo existe somente a busca do prazer e o bom desempenho deve ser uma meta. No amor a conversa é outra. O bom desempenho é para se manter, obviamente, mas o amor em si evita comparaçoes e competiçoes. As coisas correm bem com a naturalidade dos amantes. Nunca comecei uma relação com alguem que eu julga-se de casos. Usei perservativo, naturalmente, mas sempre por fins contraceptivos. Logo, quando chegou a altura de deixar de usar, ou usar menos nao se colocou questoes de Sida. Nao consigo pensar nisso na mulher com a qual planeio fazer uma vida. Simplesmente n consigo. Se conseguise tinha imediatamente a prova de que n queria vida com ela. Mas isto sou eu... na volta sou um dos tais romanticos ;)
*A
 
Uma gaja pode até ter tido só um namorado e ter o azar de contrair HIV!! E não deixa de ser uma pessoa "séria" (para aqueles que consideram libertinas as mulheres que têm mais que um parceiro antes de casar).
Como tal, preservativo, sempre. Mesmo que o parceiro seja virgem ;-)
No casamento, porque se pressupõe que o parceiro é exclusivo, pode ser excluído. Partindo do pressuposto que nas "facadinhas" (que dizem ser inevitáveis) o preservativo volta à acção!!
 
Apoio o uso do profiláctico sempre. Independentem,ente da opinião da igreja ou das opções políticas.
 
é fundamental o uso do preservativo. o número cada vez maior de casos de Sida em Portugal, demonstra a falta de informação ou a falta de atenção do nosso "povinho". santa ignorância! não há relações sérias ou não sérias. que justifique o não uso do mesmo.não se pode dizer que um " caso" justifica o uso do dito e uma relação "séria" não. se todos soubéssmos uns dos outros.éramos bruxos.
recomendo o visionamento deum filme:"A Banda Continua a Tocar", em especial ao meu caro amigo Eelko Van Mulder. talvez. consigamos enfim...perceber o quão fundamental é o uso do preservativo.
parabéns pelo teu post, mana.
 
O que verdadeiramente me assusta é ainda haver gente (mais do que o que seria de pensar) que não usa preservativo e faz gosto disso apesar dos perigos.
Deparei-me com o assunto "cara a cara" há uns meses e sinceramente nem estava a acreditar. Acima de tudo é uma questão de responsabilidade e de respeito não só pelo próximo, mas também por nós mesmos.
Parece que há vergonha de falar nestes assuntos. Não tem de haver. Há que discutir abertamente estas coisas. É uma questão de cidadania.
Beijos
 
detesto preservativos quase tanto como dentistas!
um mal necessário...
já por várias vezes a previdência feminina suplantou a minha, evitando loucas corridas em busca da farmácia de serviço ás cinco da matina!

é bom quando essa confiança de que falas exclui o uso desse horrivel plástico que entre nós com irritante pertinência apareceu...

nunca tinha pensado nessas simbologias de ter ou não ter!

um beijinho grande e boas derivas ao volante.
 
Reflexão bastante pertinente nos dias que correm.
A sida, a quebra do romantismo pela preocupação com o inesperado, o esquecimento, o relevar acompanhado do medo de "terá sido desta?", as comparações entre homens e mulheres a nível de desempenho sexual, enfim... tudo isto já nos deve ter passado pela cabeça, não?
 
è lixado o preservativo... pk no calor do momento, mts deixam-se levar e dps vem a asneira...

bjokas ***
Ricardão
 
Companheiro do Paopbocca, no meu caso não vou mesmo aplicar o uso do preservativo para já, não porque não o julgue crucial, mas porque é algo complicado ter um filhote a usa-lo :)
Abraço
 
Tem coisas que disseste sobre as coisas nunca havia pensado...
 
Simplificas demasiado o enunciado, e estereotipas as conclusões. Começas por uma premissa errada : "Quando usamos o preservativo significa que ainda não confiamos no outro o suficiente para o deixar de usar". Basta uma palavrinha, para deitar por terra a tua convicção – gravidez.
Quantas mulheres existirão, que apesar de não confiarem nos seus maridos, ou seja lá o que forem, consentem sexo não asséptico, porque não faz parte da "ordem natural das relações entre casais" a mulher reclamar o uso de protecção e o marido aceitar. A mulher sempre foi o elo mais fraco. Se o marido vai às putas, e no regresso usa a mulher como bem lhe apeteça, não sente que ela tenha o direito de lhe negar nada.
"A mulher que possui preservativos é uma maluca", em que mundo é que vives? Nas nuvens? Qualquer mulher moderna anda com preservativos, just in case.
Um adolescente, pode ser virgem, e saber pôr um preservativo, melhor do que homens com vinte e trinta anos de vida sexual activa, a isso chama-se educação sexual, uma "coisa" que mete medo à direita.
Sabes, o ideal romântico, está associado à ideia do amor absoluto, da perdição, até da morte. Vê o Camilo, o Garrett, o Herculano.
O teu post, tem o mérito, de abordar um dos temas mais sérios da vida em sociedade.
Filme sobre hiv, protecção, amor e morte, é o "Noites Bravas".
 
acho mal o uso do preservativo somente como fins contraceptivos. esquecendo os fins profilacticos. acho mal fazer depender o uso deste das intensoes que temos com a outra pessoa, i.e., se quisermos apenas bons momentos usamos se pretendermos uma relaçao mais seria nao usamos e esta decisao é tomada logo à partida. infelizmente isto acontece!!! qualquer que seja o caso o teste é preciso para deixar de usar o dito. E PERGUNTO quem fez o teste qundo quis deixar de usar o preservativo?
 
...e sim bluebird o preconceito existe. o que escrevo neste post é a tentar provar que o preservativo nao se resume apenas ao seu uso. mas todas as questoes que imediatamente se colocam. num pais de falsos moralistas. onde a santa fica em casa sozinha e o elefante branco esta cheio dos maridos delas.
 
Alexandre nunca pensaste em usar preservativo com a tua namorada por achares que ela a querias para uma relaçao seria ou por nao pores a fidelidade em questao? nao percebi...
 
Porque a queria para uma relação seria. É que mto honestamente foi coisa que nunca me passou pela cabeça a da fidelidade´. Foi natural, assim como o é o amor. Ora se olhamos para alguem com quem queremos partilhar uma vida, ser uma familia parece-me normal que a não ser para fins contraceptivos, o preservativo não tem outra utilidade. Eu sei das historias dos arautos da desgraça. Sei tb a tx de divorcios, traiçoes e afins. Mas se n acredito que somos diferentes qual é o sentido de haver um Nos? Mas é como eu digo, eu devo estar transformado num romantico idealista ;)
 
Grande discussão aqui vai, isto só prova que uma informação a nível do estado seria fundamental, para gastar uns tostõezitos informando as pessoas do verdadeiro perigo que enfrentam com o não uso do preservativo. Esse perigo chama-se morte e eu, que já vi alguns morrerem dessa peste sei do que falo, nenhum deles, excepto um, lhes passou pela cabeça que tinham a doença. Relações casuais não tinham, confiaram no parceiro e lixaram-se. "Tens cinco anos de vida" disseram a um, "mais ou menos" ele tinha 23 anos. E tu sabes quem era.
Cinco anos, vá lá, pensou ele, pensei que era menos. Foi menos. E o sofrimento dele jamais esquecerei.Por isso a todos os comentadores deste post, peço que pensem melhor nas vidas que estão a pôr em risco e nas suas próprias vidas.
O filme citado pelo BlueBird, é um óptimo filme, que todos, mas mesmo TODOS deveriam ver. Não se compreende que em Portugal ainda se pense como se pensa. Mais pontapés na lua, até que ela nos caia em cima.
 
Belo artigo, sem dúvida. Toca nas questões que vão para além do simples colocar o preservativo. Existem tantos preconceitos quanto a isto, existe muito medo de falar das coisas, incompreensivelmente existem assuntos que continuam a ser tabus e os julgamentos de valor ainda pesam, mas de facto há que saber incluir o respeito na sexualidade.
Todos temos passado, todos vivemos um presente e queremos ter um futuro. Usar o preservativo não deveria ser uma questão mas sim uma regra, enquanto que o deixar de o usar deveria ser sempre uma decisão responsável de ambos. Infelizmente nem sempre assim o é.
 
belissimo filme sim!
o realizador, cyril collard, já era seropositivo quando realizou o filme e daí a temática ser precisamente o amor e a morte...
o filme acaba em portugal, país de que gostava muito.
morreu pouco depois do filme estrear.

beijinhos
 
Não vou enriquecer a discussão pondo mais achas. Mas é que eu penso exactamente como o Alex :-) Beijinhos, Trintinha
 
Eu sou quarentapermanente... e qd leio pessoas com menos 10 ou 20 anos que eu a falarem de romantismo, e de relações sérias, apetece-me soltar uma grande gargalhada. Durante 20 anos confiei. Quando me separei a primeira coisa que fiz foi o teste de HIV... a minha segunda relação estável, julgo pelo menos que não teve facadinhas desprotegidas, mas pelo sim pelo não ja fiz mais um teste. E garantidamente se o tipo me achar maluca pq eu tenho e ele não, fujo dele a sete pés... não é esse o homem preconceituoso e machista que quero na minha vida.
pandora
 
Enviar um comentário

[Top]