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Do mal o menos

segunda-feira, julho 04, 2005

Revelação 




Recentemente passei por um desgosto imensurável, a partida dum querido. A dor transportou-me/despertou-me para um estadio onde toda a natureza irradiava luz. Intuia a sua existência por toda a parte.
Sucumbindo ao observado, logo me apercebi que tudo o que me rodeava era produto daquilo que eu era e vice-versa. De que algo que desconhecia me estava a ser revelado.
Tive a percepção do: UNO.

Sensível a um novo conhecimento, iniciei uma viagem sem regresso, uma procura na espiritualidade da génese, do porquê.

Fazemos parte dum Universo, Cosmos ou Deus, como queiramos chamar, dum todo sem inicio nem fim. Só nos é possível ter esta percepção se nos abstrairmos das nossas referências de espaço e tempo, bem como dos nossos 5 sentidos que constantemente recorremos para provar a existência das coisas, incluindo a nossa.
Metaforicamente somos um mar [amor] que depois de batido divide-se em mil partículas [nós] regressando posteriormente ao mar [morte].
Daí termos sempre esta necessidade de dar amor, de encontrar o amor, de receber amor. De passarmos a vida a querer juntar-nos, através de laços familiares, amigos, amorosos e até de ódio ( não mais do que amor mal gerido). Porque pertencemos a um denominador comum.

Tentamos regressar às origens que intuímos mas desconhecemos: O AMOR ABSOLUTO E UNIVERSAL.

Com a morte do nosso corpo passamos ao nosso estádio mais puro, temos a percepção do total, do universal e do infinito. Adquirimos o conhecimento supremo. Por isso desengane-se quem pensa que vamos encontrar A, B ou C, ou vamos ter uma outra vida num mundo paralelo (paraíso ou inferno).
Quando morremos, voltamos a ser luz. Já não há individualidade, mas totalidade.
E termina a procura do AMOR/DEUS pois não é mais do que o nosso reflexo. Não existe um Deus fora de nós. Nós somos DEUS, nós somos AMOR UNIVERSAL.

Apenas não nos é possível conhecer o porquê da vida física. Tendo em conta que não nos desintegramos do UNO, porque é que incorporamos este estadio de ignorância?
Porquê, a existência dos diversos estádios, neste DEVIR de Descartes?
Resposta? Talvez um dia... Depois da nossa morte, de certeza.


Este texto é da minha autoria. Não passa duma opinião pessoal e dedico-o ao meu pai e ao meu para sempre querido R.

Comments:
Gostei da ideia de sermos mar e luz e Deus. Não sei se assim o é. Mas gostei de ler o teu texto e de imaginar que o somos. Afinal faz sentido tudo o que dizes, embora, como o afirmas no final, respostas não as há. Com uma coisa eu concordo, passamos por imensos estadios.

Quero agradecer-te a música (que não conhecia) e a fonte de inspiração para mais um texto belíssimo de um autor que muito admiro.
 
Querida Amiga,

Eu estava a ler a tua brilhante introspecção e a recordar-me de um texto recente do teu Pai.

É bom partilharmos o que nos faz sofrer, porém, nem todos os que nos lêem são dignos do que escrevemos.

Beijocas,
 
Dá que pensar. Obrigado por este momento de reflexão instrospectiva.
 
um beijinho amiga.
Gosto de te ver no caminho da luz.
 
qual é a erva que fumas?

agora a sério depois desta filosofia toda fica a marca do sentir, e a dedicatória do mesmo.
 
eu sei o que sentes... conheço a frieza dessa sensação!

Força, beijinhos
 
"Tentamos regressar às origens que intuímos mas desconhecemos".
Conforme tu mesmo o dizes, estamos bloqueados pelos sentidos. Serão estes a forma primeira do egoísmo?
um beijinho
Mãe
 
Sabes que a verdade está mesmo diante dos nossos olhos?! - Apenas não a queremos ver por ser tão evidente - Um dia poderemos conversar sobre esta temática.
Aquilo que normalmente consideramos o "OCULTO" não é mais do que o desconhecido.
Porque tememos o que não entendemos? - O que fazemos para que o entendimento seja afinal o mais natural?
Adorei esta tua dissertação pelos caminhos do insondável.
Um beijinho
 
é nas experiências mais dolorosas que viajamos por nós mesmos e descobrimos coisas que nunca em nós tinhamos visto..é tambem dessa forma que crescemos e ganhamos carácter..diria que é esse o lado bom bom do sofrimento...
 
Fiquei muito sesibilizado com a dedicatória do texto, e muito contente por verificar o teu "entendimento" da existência na inexistência. Não é fácil esta intuição, requer capacidade de despojamento do sensitivo, que nos bloqueia todo o intuir.
"Tendo em conta que não nos desintegramos do Uno, porque é que incorporamos este estadio de ignorância?" É isso mesmo, o que tem atormentado os filósofos durante séculos, sem conseguirem a resposta. Mas se pensarmos um pouco verificamos que é uma resposta impossível, porque ela própria não existe, ou caso contrário iriamos criar a figura de um criador, e com este materializar o que é imaterializável.
Não há resposta, mesmo depois de perdermos o mundo sensitivo "a morte". Para além deste é o todo indivisível, que não conhece a parte, forma esta que pertence ao sensitivo perdido.
A teoria do Devir de Descartes baseia-se no Devir de Aristóteles, mais pura na concepção.
Isto é uma conversa difícil ou se intui ou não. Só discordo de uma coisa, mas com o tempo também tu vais descobrir que O Amor, só faz sentido do mundo sensitivo.
Parabéns, um beijo do pai
 
belo estado de espírito!
um beijo largo a desejar sempre maiores alcances...
 
Gostei muito de ler esta tua dissertação. Por este ou aquele motivo tocou-me e sensibilizou-me imenso. Um beijo, desta vez, não do Olimpo, mas sim do mortal.
 
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