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Do mal o menos

sábado, setembro 24, 2005

Mal maior 


Foto encontrada no Google

Ele deitou-se sobre ela. Na posição convencional.
Ela deitou-se sob ele. Na posição convencional.
O pudor deitou-se ao lado e riu da posição convencional.
E eram três na cama. Ele, ela e o pudor.

Ele respeitava tabus, que achava ela tinha.
Ela não ultrapassava limites, que achava ele tinha.
Ele nunca concretizara fantasias, que achava ela não entenderia.
Ela calara fantasias, que achava ele não entenderia.
E a rotina deitou-se ao lado. E juntou-se ao pudor. E riram da posição convencional.
E eram quatro na cama. Ele, ela, o pudor e a rotina.

Faziam amor no escuro e na posição convencional.
Não trocavam palavras. Só gestos convencionais.
E o amor era monólogo. E o monólogo era silêncio.
E o silêncio ocupou a cama. Cobriu os corpos separados. Deslizou pelo soalho. Subiu pelas paredes e forrou todos os quartos.

Encandescente

Comments:
Não há nada como o dialogo... Quebrar o tabu passa por isso mesmo!
E as coisa fluem naturalmente...
Beijo
 
Gostei mto deste pequeno texto. O Diálogo é mto importante nas relações humanas. E na cama tb. é óptimo quando se tem alguém ao lado compatível connosco, que nos satisfaça e vice-versa. Bjos.
 
Espantoso texto do Erotismo na Cidade.
Fizeste bem partilhar connosco.

Já publiquei o Nacho, conforme te havia dito ;)
 
belo texto! beijinhos.
 
Lindo, este texto! Pior é que se calhar é mais real do que imaginamos...
 
Bonito texto...Assim como o blog.
Parabéns!Está excelente, dá prazer ler...;)
 
Sinais dos tempos… Ainda se encontram em muitos lares, ainda que cada vez mais esbatidos. Mas nunca é demais desmascararmos situações que conduzem a esse tal silêncio, culpado principal de tantos corpos e mentes separados…
 
Vou ser sincero...

Been there, done that, got the t-shirt.

Até que nos (re)encontramos e mandamos tudo ás urtigas.

E é bom, é uma alegria, é partilha é cumplicidade, é sexo e amor.
 
...cobriu todos os quartos e lentamente asfixiou o amor, que caiu redondo no chão, sem que ninguém ousa-se tocar-lhe.

Até que um dia o pudor se distraiu e olhou para o lado.

bastou uma piscadela de olhos do pudor, e eles, num um gesto nunca feito partiram para além da taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que permitia a força humana e criaram uma pequena fresta no manto negro que a pouco e pouco quebrou todos os tabús e ressuscitou o amor.

:-) Apetece-me dar um final feliz à tua história.
Não me ligues!
São manias...
 
afinal eram 5 Azenhas. O Camões também estava :)
 
Gostei muito. Parabéns.
O silêncio é muitas vezes a agonia da relação
 
Achei genial este texto!! Nada como partilharmos o que pensamos e o que sentimos com a nossa metade, só assim haverá o entendimento e a relação será plena.

Bjks grandes.
 
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